Arquivo de February, 2009

The Ring of Kerry

Monday, 23 de February de 2009 | Xana

Pois é, um passeio lindo de cortar a respiração.

Dizem que é a zona mais bonita da Irlanda, não sei… mas pela primeira vez vi montanhas a sério neste país e deslumbrei-me.

Tentei em vão fotografar as paisagens, mas não há foto capaz de fazer juz à grandiosidade do cenário e àquela sensação de que somos tão pequeninos perante tamanha beleza.

É uma espécie de circuito oval de aproximadamente 200 km onde se vê um pouco de tudo.

Montes ermos e despidos povoados por ovelhas e ervas daninhas com alguns vestígios de neve nos topos.

Planícies recortadas por murinhos de xisto, que são a casa das vacas e dos tractores.

Praias compridas com areia fina e clara, rodeadas por montes verdes e risonhos.

Falésias negras rendilhadas contra um mar calmo e brilhante que adopta tonalidades diferentes consoante o humor.

Paisagens lunares seguidas de bosques densos e desarrumados.

Estradas estreitas que se tornam invisíveis e protegem a magia dos espaços.

Sítios ermos e terras grandes e coloridas cheias de sons.

Cidades porto fantasma, onde por milagre, dentro de algum pub perdido, se encontram pessoas reais a fugir do frio ou da fome.

Lagos com formas estranhas, águas límpidas e árvores felizes.

Imensos caminheiros curiosos os desportistas.

Fortes, castelos, casas abandonadas, ruinas perdidas que nos deixam a pensar como viveriam ali as pessoas que as construíram.

Uma quantidade imensa de imagens e informação para os olhos processarem… Um passeio que podia durar uma vida, para percorrer apenas uma pequena península da terra…

Fui assistir a uma reunião de cantores Irlandeses cujas vozes apenas chegavam para encher toda a sala.

Cantavam sem acompanhamento, cada um um par de canções. Mais tristes, mais alegres, em Inglês ou Irlandês, com mais ou menos sentimento, sobre o amor, sobre a terra, sobre os amigos, sobre a emigração, sobre recordações ternas de infância…

Cantam tudo com uma simplicidade genuína. Cantam a dor e a alegria com os mesmos tons, mas com um brilho diferente nos olhos.

De facto cada Irlandês é um cantor. Nascem e crescem a ouvir música… não admira que assim seja…

Fora do concerto também se tocava. Música de dança, notas ao desafio para deleite de novos e velhos que batiam o ritmo com os pés.

E bem, após o que pareceu uma eternidade, molhei as mãos no Atlântico e saboreei-o. Sabia a algas, a sal e a mar, como nem todos os mares sabem…

Corri como uma pata por campos de relva alta e imaginei-me a viver num forte Celta.

Comi peixe bem grelhado e sopa de peixe bem cozinhada.

Sofri de coração em cada curva daqueles caminhos de cabras.

Fiquei tão cansada e dormi tão bem…

Fica o desejo de voltar com mais tempo, a Miúda e a tenda, para uma caminhada, para poder sentir a terra e os cheiros e ser beijada por aquele ar puro. Para poder memorizar cada paisagem, cada pormenor. Para poder voar um pouco e parar para escrever e cantar ao mar…

Pensamento do dia

Monday, 23 de February de 2009 | Zé Pedro

I wish you sunshine on your path and storms to season your journey. I wish you peace in the world in which you live… More I cannot wish you except perhaps love to make all the rest worthwhile.

Robert A. Ward

Minha mãe

Tuesday, 17 de February de 2009 | Xana

Minha querida mãe enviou-me um e-mail a dizer que a melhor prenda de anos que ela poderia ter era nunca mais me ver em caminho auto-destrutivos ou à beira de depressões.

Ela está preocupada porque sente a minha voz ao telefone e não lhe pareço bem.

Haverá algum amor igualável ao amor de uma mãe? Haverá alguma forma de sentir mais perto? Um 6º ou 7ºs sentidos mais apurados?

Não sei o que é ser mãe… só posso imaginar… mas sei o que é receber esse amor. Essa cumplicidade e atenção constantes, ainda que à distância! E gosto tanto!

Não há oceano que nos separe minha mãe, assim como não há amor que me possa proteger do meu caminho. Porque é meu e tenho que o percorrer… E faço-o em paz…

Um ano atribulado. Outros melhores e piores virão. E nós cá estaremos, flexíveis e resistentes como o bambu!

Parabéns por este dia porque é tradição e parabéns por todos os outros dias porque te amo!

Um saltinho a Istambul

Wednesday, 11 de February de 2009 | Xana

Pois é, tive o privilégio divino que ir lá passar uns dias e vim rendida!

Acho que a recordação mais forte são os sons. Os cânticos que flutuam dos minaretes das mesquitas para chamar para as orações é hipnotizante e encantador. Acorda algo de místico e misterioso em nós. Entra no corpo e envolve-nos como um mantra.

Os gritos das gaivotas, as buzinas dos cargueiros, o trabalhar dos barquitos que são tão pequenos mas fazem mais barulho que um helicóptero.

Os cheiros também… o pão, a carne em rolos dos kebabs, as castanhas assadas, as espigas de milho, as laranjas e as romãs. As especiarias e os frutos secos, o peixe fresco e cozinhado.

O cheiro do couro e dos tecidos usados. E o cheiro da côr…

Tudo é colorido e brilhante, desde a comida aos trapos, as panelas, os narguilés, as bandeiras, as jóias…

Uma verdadeira invasão aos nossos sentidos acostumados ao cinzento, ao cheiro do frio e aos sons dos aviões.

Mais uma vez a sorte do nosso lado e fomos presenteados por um Sol divino que nos aqueceu e iluminou e deu mais brilho a um espaço já de si luminoso.

Outra parte do feitiço da cidade está na história. Milhares de anos de cultura e de recordações. Monumentos magníficos e cheios de vida.

Sentir que aquelas paredes albergaram dores e alegrias, vitórias e derrotas, Romanos, Otomanos, Cristãos, Muculmanos. Que sobre aquelas pedras caminharam infinitas pessoas que percorreram infinitas distâncias, que trocaram sedas e ouro e linguagens e costumes e sonhos…

As pessoas vão e vêm, mas as pedras lá estão, firmes, para nos mostrar que somos pequenos no tempo e no espaço. E as histórias lá estão para nos lembrar que somos o que fazemos e o que deixamos ao Mundo como contributo pelo seu acolhimento.

Trinta e picos…

Monday, 2 de February de 2009 | Zé Pedro

Pois é. Faz hoje trinta e picos anos que abri os olhos pela primeira vez. Não me lembro de nada como é óbvio mas dizem as más linguas que mal nasci comecei logo a aprontar das minhas… É… Nasci com uma personalidade bem vincada e com uma distracção bem acima do razoável. :)

Mas hoje, tradicional dia de festa, estou um pouco cabisbaixo. Se há coisa de que me orgulho mais é das amizades que fiz e que hoje, por razões várias, não vou poder abraçar ou presentear com uma das minhas habituais piadas secas ou distracções inusitadas.

Sinto muito a vossa falta, amigos. Fazem-me sentir rico e feliz. Vocês merecem tudo de melhor que o destino vos possa oferecer.

Obrigado pela vossa amizade. Obrigado de coração. Hoje, mais do que meu, o dia é vosso.

Um vosso amigo. Sempre.