Pois é, um passeio lindo de cortar a respiração.
Dizem que é a zona mais bonita da Irlanda, não sei… mas pela primeira vez vi montanhas a sério neste país e deslumbrei-me.
Tentei em vão fotografar as paisagens, mas não há foto capaz de fazer juz à grandiosidade do cenário e àquela sensação de que somos tão pequeninos perante tamanha beleza.
É uma espécie de circuito oval de aproximadamente 200 km onde se vê um pouco de tudo.
Montes ermos e despidos povoados por ovelhas e ervas daninhas com alguns vestígios de neve nos topos.
Planícies recortadas por murinhos de xisto, que são a casa das vacas e dos tractores.
Praias compridas com areia fina e clara, rodeadas por montes verdes e risonhos.
Falésias negras rendilhadas contra um mar calmo e brilhante que adopta tonalidades diferentes consoante o humor.
Paisagens lunares seguidas de bosques densos e desarrumados.
Estradas estreitas que se tornam invisíveis e protegem a magia dos espaços.
Sítios ermos e terras grandes e coloridas cheias de sons.
Cidades porto fantasma, onde por milagre, dentro de algum pub perdido, se encontram pessoas reais a fugir do frio ou da fome.
Lagos com formas estranhas, águas límpidas e árvores felizes.
Imensos caminheiros curiosos os desportistas.
Fortes, castelos, casas abandonadas, ruinas perdidas que nos deixam a pensar como viveriam ali as pessoas que as construíram.
Uma quantidade imensa de imagens e informação para os olhos processarem… Um passeio que podia durar uma vida, para percorrer apenas uma pequena península da terra…
Fui assistir a uma reunião de cantores Irlandeses cujas vozes apenas chegavam para encher toda a sala.
Cantavam sem acompanhamento, cada um um par de canções. Mais tristes, mais alegres, em Inglês ou Irlandês, com mais ou menos sentimento, sobre o amor, sobre a terra, sobre os amigos, sobre a emigração, sobre recordações ternas de infância…
Cantam tudo com uma simplicidade genuína. Cantam a dor e a alegria com os mesmos tons, mas com um brilho diferente nos olhos.
De facto cada Irlandês é um cantor. Nascem e crescem a ouvir música… não admira que assim seja…
Fora do concerto também se tocava. Música de dança, notas ao desafio para deleite de novos e velhos que batiam o ritmo com os pés.
E bem, após o que pareceu uma eternidade, molhei as mãos no Atlântico e saboreei-o. Sabia a algas, a sal e a mar, como nem todos os mares sabem…
Corri como uma pata por campos de relva alta e imaginei-me a viver num forte Celta.
Comi peixe bem grelhado e sopa de peixe bem cozinhada.
Sofri de coração em cada curva daqueles caminhos de cabras.
Fiquei tão cansada e dormi tão bem…
Fica o desejo de voltar com mais tempo, a Miúda e a tenda, para uma caminhada, para poder sentir a terra e os cheiros e ser beijada por aquele ar puro. Para poder memorizar cada paisagem, cada pormenor. Para poder voar um pouco e parar para escrever e cantar ao mar…
Deixas-nos a aguar… quem sabe algum dia possamos visitar? Estou certa que a Miúda será a melhor apreciadora de cada recanto. Aguardemos.
Olá Xana, Olá Pedro!
Tenho Saudades tuas primo!
Ontem foi óptimo falar contigo. Fico feliz porque sei que estão bem, e bem o merecem.
Também eu fiquei com vontade de conhecer essas paisagens maravilhosas q descreveste Xana. Quem sabe um dia!!!
Fiquem bem meus queridos, que tudo continue a correr bem. Vou-vos visitando neste espaço tão bonito cheio de palavras doces e positivas.
Um beijinho enorme e muitos abracinhos
Parece que estou a ver as paisagens. Um dia tenho que vos ir aí visitar. Por acaso, a Irlanda é um país que eu gostava de conhecer. Até um dia destes!