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Dublin

Tuesday, 26 de January de 2010 | Xana

Ah, este e o James Joyce. Foi o unico escritor com estatua que eu reconheci... a ignorancia e tramada...Ora bem… o que dizer sobre Dublin…

A minha primeira e única experiência foi UAU!

A cidade recebeu-nos com uma Sol radiante, uma excelente luz para fotografias e gente bem disposta e aterefada por todo o lado.

Viaja-se bem para todo o lado, ora de metro de superficie, ora de comboio que faz a linha da costa e tem uma vista espectacular! Autocarros há muitos, mas se tiverem que passar no centro é melhor evitar… trânsito caótico! Fim do Mundo em cuecas! E gente louca a conduzir como numa boa capital que se preze! :)

IMG_4511.JPGÉ uma cidade com muitos contrates, principalmente arquitectónicos e principalmente no centro. Todos eles nos chocam, mas não só pela negativa (apesar de que a transformação de um castelo antigo numa massa de cimento pintada de amarelo, laranja e azul bébé ainda me está no goto…)

Arejada, com muitos jardins e parques e esculturas por todo o lado (eles gostam das suas estátuas, principalmente de escritores ilustres desconhecidos…)

Foi divertido descobrir a zona de Temple Bar, onde se concentram os restaurantes, cafés e bares pequenos e pitorescos com música ao vivo o tempo todo. Provavelmente coisa para turista ver… mas não deixa de ser bem giro!

Não houve tempo, mas descobrimos imensos passeios que se podem fazer nas redondezas, tanto a património natural como histórico. Coisas de deixar mesmo água na boca!

Enfim… mais uma cidade “must visit”!

Frio, neve e falta de profissionalismo

Sunday, 20 de December de 2009 | Zé Pedro

Pois é meus amigos. Estou em Londres, preso por causa do tempo e por causa da falta de profissionalismo da EasyJet. Voos cancelados, dezenas de pessoas completamente destroçadas sem conseguir ver como ir a Portugal passar o Natal com as suas famílias… Uma cena triste, uma actuação desumana por parte daquela companhiazeca de meia tigela. Nada… Não ajudam em nada e contam com o facto de as pessoas terem dinheiro para se desemerdarem sozinhos. É triste, muito triste. Principalmente nesta altura do ano.

Neste dia, acima de tudo, o meu coração esta com um simpático austríaco, mulher e seus três filhos que se encontraram na mesma situação que eu. Uma viagem em família a Londres estragada por terceiros. Mas o sorriso e serenidade do homem tocou-me. “Que fazer”, dizia ele com toda a razão. “Só tenho de arranjar maneira de voltar porque eu tenho de trabalhar amanhã e os meus filhos têm escola…”

Triste, absolutamente triste. EasyJet nunca mais.

Ps. Marquei um voo na TAP e la vou eu amanhã bem cedinho. Ao menos eu sei que a TAP funciona e que preza bem mais os clientes que tem.

2º Capítulo

Tuesday, 21 de April de 2009 | Xana

E bem, lá aportámos em Portsmouth e deslumbramos com a logística e a mecânica envolvida no raio do barco. Os sinhores enginheiros que planearam aquilo tinham alguns norónios! :)

A viagem até Slough não teve nada a reportar, salvo o facto de irmos a conduzir ao contrário, o que se revelou bastante mais fácil do que estava à espera.

Antes de irmos visitar o Asif ainda deu para um saltinho mesmo muito rápido até Windsor para a minha mãe ter um cheirinho de realeza!

Escusado será dizer que apesar de eu o ter avisado que não era preciso comida, o Asif e a Tehmina presentearam-nos com um banquete de comida paquistanesa super picante que a minha mãe adorou. E mostrou-se bastante útil, dado que as nossas provisões estavam a acabar… incrível!

Foi mesmo uma visita de médico, que acabou em abraços e lágrimas em português, inglês e paquistanês, e siga para bingo!

Uma viagem medonha até Pembroke… chovia a cântaros e o vento parecia soprado pelas profundezas do inferno… alguns troços iluminados, outros nem por isso, o que nos fez achar que alguns municípios não devem estar nas boas graças da rainha…

Um café absolutamente medonho pelo caminho e nada mais a reportar. Lá chegámos ao novo ferry!

Digamos que chega a um ponto em que o nosso cérebro já não consegue divagar pelos prazeres do caminho e está mesmo só concentrado no fim. Tipo robot com uma ordem…

Dormimos nos sofás do restaurante do ferry (bastante confortáveis) e a minha mãe quase não pregou olho porque estava uma tempestade que abanava o barco todo… não dei conta de nada…

E pronto, um pequeno almoço irlandês no primeiro quiosque que encontramos e mais 4 horas de viagem pelo verde irlandês até Cork.

De notar que durante todo este trajecto a Miúda portou-se impecavelmente bem. Nem um só ganidinho, nada! Acho que se resignou facilmente a dormir para esquecer…

Vendo agora em retrospectiva, tivemos mesmo uma viagem santa! Tudo correu bem! Fomos mesmo afortunadas, e bem protegidas…

Para a Irlanda. De carro!

Tuesday, 21 de April de 2009 | Xana

Então aqui vai um resumo muito resumido da nossa viagem de carro até à Irlanda:

Combinamos dormir às 18h para saírmos à meia-noite. Claro que só consegui dormir 1,5 horas e depois fiquei à espera que a minha mãe acordasse (venho depois a descobrir que ela enfiou um calmante e dormiu que nem uma santa).

Fizemos uma viagem de carro sem sobressaltos maiores do que o calafrio de alguma terrível música de Quim Barreiros ou a vontade de suicídio ao ouvir Tony de Matos. Aliás, a música foi uma constante na viagem toda e quem ganhou foi o António Mafra com 100% de votos para as músicas mais divertidas e anti-sono. Excelentes para as infindáveis auto estradas espanholas.

Estranhamente nunca nos perdemos e desligamos o GPS no 1º “Recalculando” daquela voz irritante que tem a mania que sabe tudo mas que se atrapalha com qualquer coisinha…

O caminho estava super bem sinalizado mesmo até ao local de embarque no ferry.

Assistimos a um belíssimo nascer do Sol na zona de Valladolid, com os 1ºs raios de Sol a demonstrar a sua tenacidade e persistência sobre um conjunto de nuvens que resolveram armar-se em desmancha prazeres.

Deslumbramos com a magnífica paisagem de montanhas entre Burgos e Santander. Um misto de verde com rochas, uns salpicos de neve e um Sol brilhante a tornar tudo ainda mais bonito (como sempre).

De notar que neste troço da viagem já só deviam restar uns ligeiros vestígios de sangue na cafeína que me corria pelas veias (ainda assim com força de vontade suficiente para subornar o meu cerebro a adormecer).

Ainda bem que a minha mãe dormiu ou a coisa teria sido crítica… Fica a nota mental de nunca mais me meter numa viagem de 7 horas a conduzir sem planear uma paragem para dormir…

Claro que fomos as primeiras a chegar ao barco e a fazer o check in e ainda deu tempo para uma voltinha na zona ribeira de Santander.

Só me lembro de ver umas construções lindas e tal… muito trânsito… meia hora para me trazerem um café numa esplanada toda chique… e uma busca hilariante por um WC onde tivemos que acabar por pagar para entrar…

Não tive presença para grandes contemplações já que todas as celulas do meu corpo gritavam por comida e cama…

O farnel que a minha mãe preparou, apesar de tão grande que não nos podíamos mexer no carro, revelou-se providencial! A mistura explosiva de cansaço com má comida teria sido fatal!

E bem, lá entramos no barco. Perdemo-nos lá dentro entre escadas, elevadores e corredores, mas depressa entendemos a mecânica da coisa.

Instalamos a Miúda no meio de lágrimas e fomos para o convés assistir à partida.

Só me lembro de me sentar no chão, sentir o barco vibrar tanto que parecia que ia explodir, apreciar a vista de Santander meio desfocada e acho que adormeci…

Não há lugar para grandes emoções. Nem dá para realmente apreciar a beleza de uma experiência nova quando o corpo não responde… é pena…

E bem, aterramos na cabine durante 2 horitas e fomos passera a Miúda que tremia como varas verdes. Pobres bichos…

Vimos um por do Sol lindo no meio do mar e duma ventania doida e dormimos outra vez. 12 horas non stop!

Um bom pequeno almoço e um banho e passeios com a Miúda no deck. Um Sol brilhante e quente. Um mar calmo e o horizonte lá longe… Perfeito!

É interessante que viajar de barco retira-nos o stress da viagem e transforma-a num passeio. Concentramo-nos no caminho e não no fim. Como alguém sábio diz: “A felicidade é o caminho” e as viagens rápidas retiram-nos essa possibilidade…

Como o mar é lindo… e grande… 5cm de mapa são uma imensidão de vida… Respeita-se a admira-se…

E o barco vai devagarinho para não incomodar…

The Ring of Kerry

Monday, 23 de February de 2009 | Xana

Pois é, um passeio lindo de cortar a respiração.

Dizem que é a zona mais bonita da Irlanda, não sei… mas pela primeira vez vi montanhas a sério neste país e deslumbrei-me.

Tentei em vão fotografar as paisagens, mas não há foto capaz de fazer juz à grandiosidade do cenário e àquela sensação de que somos tão pequeninos perante tamanha beleza.

É uma espécie de circuito oval de aproximadamente 200 km onde se vê um pouco de tudo.

Montes ermos e despidos povoados por ovelhas e ervas daninhas com alguns vestígios de neve nos topos.

Planícies recortadas por murinhos de xisto, que são a casa das vacas e dos tractores.

Praias compridas com areia fina e clara, rodeadas por montes verdes e risonhos.

Falésias negras rendilhadas contra um mar calmo e brilhante que adopta tonalidades diferentes consoante o humor.

Paisagens lunares seguidas de bosques densos e desarrumados.

Estradas estreitas que se tornam invisíveis e protegem a magia dos espaços.

Sítios ermos e terras grandes e coloridas cheias de sons.

Cidades porto fantasma, onde por milagre, dentro de algum pub perdido, se encontram pessoas reais a fugir do frio ou da fome.

Lagos com formas estranhas, águas límpidas e árvores felizes.

Imensos caminheiros curiosos os desportistas.

Fortes, castelos, casas abandonadas, ruinas perdidas que nos deixam a pensar como viveriam ali as pessoas que as construíram.

Uma quantidade imensa de imagens e informação para os olhos processarem… Um passeio que podia durar uma vida, para percorrer apenas uma pequena península da terra…

Fui assistir a uma reunião de cantores Irlandeses cujas vozes apenas chegavam para encher toda a sala.

Cantavam sem acompanhamento, cada um um par de canções. Mais tristes, mais alegres, em Inglês ou Irlandês, com mais ou menos sentimento, sobre o amor, sobre a terra, sobre os amigos, sobre a emigração, sobre recordações ternas de infância…

Cantam tudo com uma simplicidade genuína. Cantam a dor e a alegria com os mesmos tons, mas com um brilho diferente nos olhos.

De facto cada Irlandês é um cantor. Nascem e crescem a ouvir música… não admira que assim seja…

Fora do concerto também se tocava. Música de dança, notas ao desafio para deleite de novos e velhos que batiam o ritmo com os pés.

E bem, após o que pareceu uma eternidade, molhei as mãos no Atlântico e saboreei-o. Sabia a algas, a sal e a mar, como nem todos os mares sabem…

Corri como uma pata por campos de relva alta e imaginei-me a viver num forte Celta.

Comi peixe bem grelhado e sopa de peixe bem cozinhada.

Sofri de coração em cada curva daqueles caminhos de cabras.

Fiquei tão cansada e dormi tão bem…

Fica o desejo de voltar com mais tempo, a Miúda e a tenda, para uma caminhada, para poder sentir a terra e os cheiros e ser beijada por aquele ar puro. Para poder memorizar cada paisagem, cada pormenor. Para poder voar um pouco e parar para escrever e cantar ao mar…