Pois é, tive o privilégio divino que ir lá passar uns dias e vim rendida!
Acho que a recordação mais forte são os sons. Os cânticos que flutuam dos minaretes das mesquitas para chamar para as orações é hipnotizante e encantador. Acorda algo de místico e misterioso em nós. Entra no corpo e envolve-nos como um mantra.
Os gritos das gaivotas, as buzinas dos cargueiros, o trabalhar dos barquitos que são tão pequenos mas fazem mais barulho que um helicóptero.
Os cheiros também… o pão, a carne em rolos dos kebabs, as castanhas assadas, as espigas de milho, as laranjas e as romãs. As especiarias e os frutos secos, o peixe fresco e cozinhado.
O cheiro do couro e dos tecidos usados. E o cheiro da côr…
Tudo é colorido e brilhante, desde a comida aos trapos, as panelas, os narguilés, as bandeiras, as jóias…
Uma verdadeira invasão aos nossos sentidos acostumados ao cinzento, ao cheiro do frio e aos sons dos aviões.
Mais uma vez a sorte do nosso lado e fomos presenteados por um Sol divino que nos aqueceu e iluminou e deu mais brilho a um espaço já de si luminoso.
Outra parte do feitiço da cidade está na história. Milhares de anos de cultura e de recordações. Monumentos magníficos e cheios de vida.
Sentir que aquelas paredes albergaram dores e alegrias, vitórias e derrotas, Romanos, Otomanos, Cristãos, Muculmanos. Que sobre aquelas pedras caminharam infinitas pessoas que percorreram infinitas distâncias, que trocaram sedas e ouro e linguagens e costumes e sonhos…
As pessoas vão e vêm, mas as pedras lá estão, firmes, para nos mostrar que somos pequenos no tempo e no espaço. E as histórias lá estão para nos lembrar que somos o que fazemos e o que deixamos ao Mundo como contributo pelo seu acolhimento.
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