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Para a Irlanda. De carro!

Tuesday, 21 de April de 2009 | Xana

Então aqui vai um resumo muito resumido da nossa viagem de carro até à Irlanda:

Combinamos dormir às 18h para saírmos à meia-noite. Claro que só consegui dormir 1,5 horas e depois fiquei à espera que a minha mãe acordasse (venho depois a descobrir que ela enfiou um calmante e dormiu que nem uma santa).

Fizemos uma viagem de carro sem sobressaltos maiores do que o calafrio de alguma terrível música de Quim Barreiros ou a vontade de suicídio ao ouvir Tony de Matos. Aliás, a música foi uma constante na viagem toda e quem ganhou foi o António Mafra com 100% de votos para as músicas mais divertidas e anti-sono. Excelentes para as infindáveis auto estradas espanholas.

Estranhamente nunca nos perdemos e desligamos o GPS no 1º “Recalculando” daquela voz irritante que tem a mania que sabe tudo mas que se atrapalha com qualquer coisinha…

O caminho estava super bem sinalizado mesmo até ao local de embarque no ferry.

Assistimos a um belíssimo nascer do Sol na zona de Valladolid, com os 1ºs raios de Sol a demonstrar a sua tenacidade e persistência sobre um conjunto de nuvens que resolveram armar-se em desmancha prazeres.

Deslumbramos com a magnífica paisagem de montanhas entre Burgos e Santander. Um misto de verde com rochas, uns salpicos de neve e um Sol brilhante a tornar tudo ainda mais bonito (como sempre).

De notar que neste troço da viagem já só deviam restar uns ligeiros vestígios de sangue na cafeína que me corria pelas veias (ainda assim com força de vontade suficiente para subornar o meu cerebro a adormecer).

Ainda bem que a minha mãe dormiu ou a coisa teria sido crítica… Fica a nota mental de nunca mais me meter numa viagem de 7 horas a conduzir sem planear uma paragem para dormir…

Claro que fomos as primeiras a chegar ao barco e a fazer o check in e ainda deu tempo para uma voltinha na zona ribeira de Santander.

Só me lembro de ver umas construções lindas e tal… muito trânsito… meia hora para me trazerem um café numa esplanada toda chique… e uma busca hilariante por um WC onde tivemos que acabar por pagar para entrar…

Não tive presença para grandes contemplações já que todas as celulas do meu corpo gritavam por comida e cama…

O farnel que a minha mãe preparou, apesar de tão grande que não nos podíamos mexer no carro, revelou-se providencial! A mistura explosiva de cansaço com má comida teria sido fatal!

E bem, lá entramos no barco. Perdemo-nos lá dentro entre escadas, elevadores e corredores, mas depressa entendemos a mecânica da coisa.

Instalamos a Miúda no meio de lágrimas e fomos para o convés assistir à partida.

Só me lembro de me sentar no chão, sentir o barco vibrar tanto que parecia que ia explodir, apreciar a vista de Santander meio desfocada e acho que adormeci…

Não há lugar para grandes emoções. Nem dá para realmente apreciar a beleza de uma experiência nova quando o corpo não responde… é pena…

E bem, aterramos na cabine durante 2 horitas e fomos passera a Miúda que tremia como varas verdes. Pobres bichos…

Vimos um por do Sol lindo no meio do mar e duma ventania doida e dormimos outra vez. 12 horas non stop!

Um bom pequeno almoço e um banho e passeios com a Miúda no deck. Um Sol brilhante e quente. Um mar calmo e o horizonte lá longe… Perfeito!

É interessante que viajar de barco retira-nos o stress da viagem e transforma-a num passeio. Concentramo-nos no caminho e não no fim. Como alguém sábio diz: “A felicidade é o caminho” e as viagens rápidas retiram-nos essa possibilidade…

Como o mar é lindo… e grande… 5cm de mapa são uma imensidão de vida… Respeita-se a admira-se…

E o barco vai devagarinho para não incomodar…

The Ring of Kerry

Monday, 23 de February de 2009 | Xana

Pois é, um passeio lindo de cortar a respiração.

Dizem que é a zona mais bonita da Irlanda, não sei… mas pela primeira vez vi montanhas a sério neste país e deslumbrei-me.

Tentei em vão fotografar as paisagens, mas não há foto capaz de fazer juz à grandiosidade do cenário e àquela sensação de que somos tão pequeninos perante tamanha beleza.

É uma espécie de circuito oval de aproximadamente 200 km onde se vê um pouco de tudo.

Montes ermos e despidos povoados por ovelhas e ervas daninhas com alguns vestígios de neve nos topos.

Planícies recortadas por murinhos de xisto, que são a casa das vacas e dos tractores.

Praias compridas com areia fina e clara, rodeadas por montes verdes e risonhos.

Falésias negras rendilhadas contra um mar calmo e brilhante que adopta tonalidades diferentes consoante o humor.

Paisagens lunares seguidas de bosques densos e desarrumados.

Estradas estreitas que se tornam invisíveis e protegem a magia dos espaços.

Sítios ermos e terras grandes e coloridas cheias de sons.

Cidades porto fantasma, onde por milagre, dentro de algum pub perdido, se encontram pessoas reais a fugir do frio ou da fome.

Lagos com formas estranhas, águas límpidas e árvores felizes.

Imensos caminheiros curiosos os desportistas.

Fortes, castelos, casas abandonadas, ruinas perdidas que nos deixam a pensar como viveriam ali as pessoas que as construíram.

Uma quantidade imensa de imagens e informação para os olhos processarem… Um passeio que podia durar uma vida, para percorrer apenas uma pequena península da terra…

Fui assistir a uma reunião de cantores Irlandeses cujas vozes apenas chegavam para encher toda a sala.

Cantavam sem acompanhamento, cada um um par de canções. Mais tristes, mais alegres, em Inglês ou Irlandês, com mais ou menos sentimento, sobre o amor, sobre a terra, sobre os amigos, sobre a emigração, sobre recordações ternas de infância…

Cantam tudo com uma simplicidade genuína. Cantam a dor e a alegria com os mesmos tons, mas com um brilho diferente nos olhos.

De facto cada Irlandês é um cantor. Nascem e crescem a ouvir música… não admira que assim seja…

Fora do concerto também se tocava. Música de dança, notas ao desafio para deleite de novos e velhos que batiam o ritmo com os pés.

E bem, após o que pareceu uma eternidade, molhei as mãos no Atlântico e saboreei-o. Sabia a algas, a sal e a mar, como nem todos os mares sabem…

Corri como uma pata por campos de relva alta e imaginei-me a viver num forte Celta.

Comi peixe bem grelhado e sopa de peixe bem cozinhada.

Sofri de coração em cada curva daqueles caminhos de cabras.

Fiquei tão cansada e dormi tão bem…

Fica o desejo de voltar com mais tempo, a Miúda e a tenda, para uma caminhada, para poder sentir a terra e os cheiros e ser beijada por aquele ar puro. Para poder memorizar cada paisagem, cada pormenor. Para poder voar um pouco e parar para escrever e cantar ao mar…

Mais Irlanda

Tuesday, 11 de November de 2008 | Xana

Sim, de facto andar de carro ao contrário foi uma aventura! Especialmente os cruzamentos e as rotundas são um verdadeira desafio. Mas ao final de 2 dias já dizíamos:” Ah e tal! Afinal não é assim tão difícil!”

Realmente não há nada a que a gente não se habitue!

Ter um carro na Irlanda é quase tão importante como ter ar para respirar! Dentro da cidade há transportes, mas para fora… nem por isso… comboios… poucos… Para passear: a pé ou de bicicleta!

Mas bem, lá fomos conhecer 3 mini cidades costeiras das redondezas.

UAU! Pricipalmente Cobh e Kinsale são terras muito lindas. Casinhas coloridas, tudo bem arranjadinho. Só faltou o cheiro a mar! (O mar lá não cheira…)

Mas os meus sítios favoritos foram o parque de Blarney e Old End Kinsale.

O parque de Blarney fica nas redondezas do castelo. É enorme e um misto de bem tratadinho com selvagem. É um daqueles cenários onde não nos assustaríamos de saltasse um gnomo de dento de uma daquelas árvores antiquíssimas ou não estranharíamos se umas fadas marotas nos viessem cumprimentar. É sem dúvida um sítio mágico…

Old End Kinsale, pelo seu lado, é o sítio onde acaba a terra e começa toda aquela vastidão de mar.

Um mar estranho, sem ondas, que parece que está a preparar alguma!

É um cenário magnífico e emocionante. Altas escarpas de rochas negras. Um braço de terra super verde e um mar cinzento com um tímido reflexo de Sol.

Infelizmente (ou não) não há foto que consiga captar a verdadeira essência da coisa. Têm mesmo que vir cá!

Mas bem, fora as paisagens magníficas e andarmos às turras com o GPS, o momento alto do fim-de-semana foi ter conhecido a família Ferreira! :) Fomos comer uma arrozada de marisco a casa deles e ficamos no paleio até às quinhentas!

Foi super engraçado conhecer ao vivo e a cores alguém com quem nos comunicavamos apenas pela net. Foi delicioso saborear um arroz de receita especial, mas essencialmente foi muito especial perceber que a idade não estraga a nossa capacidade de amar à primeira vista!

Pessoas espectaculares! E não é por serem prtugueses! É mesmo aqulela sensação que já fomos amigos noutras vidas. Um reconhecimento! Muito bom!

E bem, agora estou mortinha para conhecer o resto da Irlanda. Dizem as más línguas que o melhor ainda está para vir!

Ehpah! Onde está o travão de mão?

Thursday, 6 de November de 2008 | Zé Pedro

Pois é, meus senhores… Resolvi alugar um carrito para calcorrear algumas ruazitas deste país à beira mar alagado. Uiiii!

Quando o fui levantar o senhor vira-se para mim e diz-me que escolhi um carro pequeno e que por 3 euros a mais eu poderia levar o Ford Focus. Como o carro pequeno era suficiente eu recusei. O homem no entanto insistiu e eu voltei a recusar. Resignado, deu-me as chaves e disse onde estava o carro. Pimpão la fui eu, cheguei ao carro e… O meu carro era um Micra, o carro mais gay da história. E era meu pelo fim de semana.

A experiência começou por um desconforto ao entrar no carro. “Temos de entrar ao contrário” pensei eu enquanto batia repetidamente com joelho e cabeça em qualquer perturberância do veículo. Após um esforço considerável lá estava eu sentado no lugar do condutor à procura do cinto de segurança. “É do outro lado, parvo” pensei quando me apercebi que estava a tentar apanhar um cinto no tecto da parte central do carro. Coloquei o cinto cada vez mais confiante, liguei o carro e bati três vezes com o colovelo direito na porta enquanto procurava o travão de mão. “É do outro lado”, gritei comigo furioso.

Verifiquei espelhos, rezei e finalmente arranquei.

Dois minutos depois percebi que estava a atravessar o estacionamento de um supermercado em contramão…

“Vai ser lindo vai”, pensei.

Cork

Tuesday, 30 de September de 2008 | Xana

2008-ucc[1].jpgOk, faço aqui um pequeno interregno na minha família de Slough para escrever sobre Cork!

Estive lá este fim-de-semana e venho maravilhada! Por isso tem prioridade!

É engraçado como os nossos olhos olham para as coisas de forma diferente consoante o que pensamos, consoante as nossas emoções.

Eu olho para Londres como um local de passagem, vibrante e deslumbrante, sedutor como um paraíso de férias, mas sem alma… ou pelo menos sem a minha alma…

Não sei explicar, mas Cork é onde está o meu coração, e só por isso é o local mais bonito do Mundo…cork-city-centre.jpg

Claro que também é mesmo um sítio lindíssimo! É emocionante ver tanto verde… faz bem à alma!

O centro da cidade é muito bonito, velhote e pitoresco, mas bem tratado. Há músicos por todo o lado, há música em cada esquina… aquece o corpo e o coração…

Há jardins e parques por toda a parte. De repende enveredamos por um beco e damos de caras com um relvado gigantesco!

Escusado será dizer que se eu tivesse tempo tinha passado o tempo todo espolinhada na relva a dormir, a ler ou só a olhar para o céu!figure_1_aerial_view_of_cor.jpg

Cork recebeu-me com um Sol magnífico. Verdade seja dita que tenho sido muito bem recebida pelo Sol! Ou então o Verão veio mesmo mais tarde para estas bandas!

E a luz do sol reflete de forma magnífica as cores muito variadas e berrantes das pequenas casinhas. Todas bem pintadinhas, como se não chuvesse picaretas naquela terra!

Há muita diversidade de raças e culturas. Todas misturadas, sem stresses e sem conflitos.

Come-se mal… os irlandeses não sabem comer… por isso precisam mesmo de meia dúzia de portugueses bem gulosos para aprender umas coisas! Mas a brincar, a brincar, já se vê muita obesidade como em Inglaterra, de tanta variadade de porcarias que lá se encontram!

O ZP está numa casinha fixe. Com uns companheiros, digamos, peculiares! São malta porreira, ajudam-no imenso e são uma boa companhia! É o que interessa!

Agora estou mortinha para voltar lá e conseguir ir até ao mar…

Um dia ainda vamos ter uma quintinha sossegada perto do mar! Com montes de cães a saltitar por todo o lado!