Então aqui vai um resumo muito resumido da nossa viagem de carro até à Irlanda:
Combinamos dormir às 18h para saírmos à meia-noite. Claro que só consegui dormir 1,5 horas e depois fiquei à espera que a minha mãe acordasse (venho depois a descobrir que ela enfiou um calmante e dormiu que nem uma santa).
Fizemos uma viagem de carro sem sobressaltos maiores do que o calafrio de alguma terrível música de Quim Barreiros ou a vontade de suicídio ao ouvir Tony de Matos. Aliás, a música foi uma constante na viagem toda e quem ganhou foi o António Mafra com 100% de votos para as músicas mais divertidas e anti-sono. Excelentes para as infindáveis auto estradas espanholas.
Estranhamente nunca nos perdemos e desligamos o GPS no 1º “Recalculando” daquela voz irritante que tem a mania que sabe tudo mas que se atrapalha com qualquer coisinha…
O caminho estava super bem sinalizado mesmo até ao local de embarque no ferry.
Assistimos a um belíssimo nascer do Sol na zona de Valladolid, com os 1ºs raios de Sol a demonstrar a sua tenacidade e persistência sobre um conjunto de nuvens que resolveram armar-se em desmancha prazeres.
Deslumbramos com a magnífica paisagem de montanhas entre Burgos e Santander. Um misto de verde com rochas, uns salpicos de neve e um Sol brilhante a tornar tudo ainda mais bonito (como sempre).
De notar que neste troço da viagem já só deviam restar uns ligeiros vestígios de sangue na cafeína que me corria pelas veias (ainda assim com força de vontade suficiente para subornar o meu cerebro a adormecer).
Ainda bem que a minha mãe dormiu ou a coisa teria sido crítica… Fica a nota mental de nunca mais me meter numa viagem de 7 horas a conduzir sem planear uma paragem para dormir…
Claro que fomos as primeiras a chegar ao barco e a fazer o check in e ainda deu tempo para uma voltinha na zona ribeira de Santander.
Só me lembro de ver umas construções lindas e tal… muito trânsito… meia hora para me trazerem um café numa esplanada toda chique… e uma busca hilariante por um WC onde tivemos que acabar por pagar para entrar…
Não tive presença para grandes contemplações já que todas as celulas do meu corpo gritavam por comida e cama…
O farnel que a minha mãe preparou, apesar de tão grande que não nos podíamos mexer no carro, revelou-se providencial! A mistura explosiva de cansaço com má comida teria sido fatal!
E bem, lá entramos no barco. Perdemo-nos lá dentro entre escadas, elevadores e corredores, mas depressa entendemos a mecânica da coisa.
Instalamos a Miúda no meio de lágrimas e fomos para o convés assistir à partida.
Só me lembro de me sentar no chão, sentir o barco vibrar tanto que parecia que ia explodir, apreciar a vista de Santander meio desfocada e acho que adormeci…
Não há lugar para grandes emoções. Nem dá para realmente apreciar a beleza de uma experiência nova quando o corpo não responde… é pena…
E bem, aterramos na cabine durante 2 horitas e fomos passera a Miúda que tremia como varas verdes. Pobres bichos…
Vimos um por do Sol lindo no meio do mar e duma ventania doida e dormimos outra vez. 12 horas non stop!
Um bom pequeno almoço e um banho e passeios com a Miúda no deck. Um Sol brilhante e quente. Um mar calmo e o horizonte lá longe… Perfeito!
É interessante que viajar de barco retira-nos o stress da viagem e transforma-a num passeio. Concentramo-nos no caminho e não no fim. Como alguém sábio diz: “A felicidade é o caminho” e as viagens rápidas retiram-nos essa possibilidade…
Como o mar é lindo… e grande… 5cm de mapa são uma imensidão de vida… Respeita-se a admira-se…
E o barco vai devagarinho para não incomodar…
![2008-ucc[1].jpg](http://lh4.ggpht.com/_0H-F_LjyaMc/SxZQXhA7lXI/AAAAAAAAGek/MZxfhlswtSs/2008-ucc%5B1%5D.jpg?imgmax=320)

