“Wake up! Wake up! I kill you”, dizia incessantemente o telemóvel enquanto me tentava acordar naquela quinta feira cinzenta. Relutantemente sai da cama e vislumbrei pela última vez os raios de sol a passar através da persiana entreaberta. Porra para isto – pensei – como é que a xana me convenceu a deixar que o sol me cegasse todas as manhãs enquanto dormia que nem um bebé saciado… (adormeci) (acordei de novo com a malvada sirene de alvorada do telemóvel. E, finalmente, levantei-me.
Depois de olhar para o espelho a avaliar o tamanho da barriga, vesti-me e comecei a labuta. Caixa para o carro, outra caixa para o carro, mala super-giga-mega-dasse para o carro seguida dos 20kg de bagagem de mão, costas e braços. Desliguei o gás, interrompi o fluxo de àgua e dei um último olhar para a casa pensando o quanto feliz ali tinha sido. Fechei a porta, verifiquei o fecho, verifiquei mais duas vezes (quem me conhece, já sabe…) e pus-me na estrada a caminho da casa dos meus pais.
Passados <n> minutos (não faço ideia de quanto foi) cheguei. Pai? Nada… Nunca foi de cumprir horas… Comi um bolo comprado no dia anterior enquanto não chegava. De repente, como se fosse uma carta das finanças chegou e começou logo a fazer estardalhaço. “Então filho!” (nunca sei a resposta a esta pergunta pelo que respondo sempre “Então…”. Parece que é a resposta correcta porque a pergunta não volta a ser feita. Arrumei o carro no seu sitio, dei as indicações adequadas a um amante de automóveis (tipo, liga-o de vez em quando e anda com ele um bocadinho) e entreguei-lhe a chave da super potente máquina. Olhei para trás desconsolado e pensei “Ehehehe, dá-lhe trabalho a pegar de vez em quando! Eheheheh”.
Como tínhamos tempo, o meu pai teve a ideia de irmos comer um rodízio a Ilhavo, terra onde a minha mãe está de momento a apanhar morangos J Com um solzito a propósito comemos enquanto eu reparava que a minha nuca me tentava dizer algo. Os dois estavam em silêncio enquanto comiam, a minha mãe de vez em quando dava-me um beijo no braço e o meu pai estava silencioso. Percebi, acreditem. Também gosto muito de vocês. Comemos, saímos e lá fomos para o aeroporto.
No tempo certo chegamos ao aeroporto fui fazer o checkin. “Ai… Senhor José… Tem peso a mais…”. “A barriga nota-se? Raios”, pensei para mim. “Dois kilos a mais eu ignoro, mas três…”. “Uff”, pensei eu, “afinal está a falar da mala”. Viro-me para o meu pai e digo que realmente juntei um casaco ao monte e fiz cara de gato das botas… Pela cara não me estava a safar… Perigo iminente… Até que… “O seu bilhete de embarque não é valido… pagou com cartão de crédito?”. Morri… Sim… Então vá ao balcão da TAP ver o que se passa e não se preocupe que eu trato já do checkin da sua mala. “O que me interessa que a minha mala vá se eu fico por cá, sua pindérica”, pensei enquanto me dirigia para o dito balcão dos tormentos. “Olhe, pagou com cartão de crédito? Com o SEU cartão de crédito”, perguntou a comparsa. “Não, foi a minha esposa que pagou a viagem com o cartão dela”. “Pois é, fique sabendo que no email vai uma indicação para confirmar os dados do cartão para nós termos a certeza que o cartão não é roubado já que o nome do titular não é igual ao do passageiro”… Fiz ronha de novo… Olhos de gato… Passados vinte minutos, tudo resolvido… Ufa… Voltei ao checkin, despedi-me da anja da mala grande e dirigi-me à zona restrita de viajantes. Despedi-me do meu pai enquanto o mandava embora. Ele insistiu em ficar a ver os aviões a partir. Percebi de novo. Também gosto muito de ti.
E pronto, a aventura começou… Avião…. Levantar, aterrar, bagagem, mudar de terminal… No novo terminal, vou a fazer checkin e quem me atende? Quem? Uma portuguesa… Conversa puxa conversa e quando já começava a conhecer mais detalhes da família, resolvi raspar-me dali. Verificação se segurança, esperar três horas, avião, levantar, aterrar, bagagem… Apanho um táxi e andamos quem nem maluquinhos às voltas à procura do B&B (bed and breakfast) onde ia ficar nas duas noites seguintes. Como uma miragem, eu vejo-o e suspiro de alívio.
Toco à entrada, vem uma senhora bonacheirona atender a porta. Cumprimento-a e ela cumprimenta-me. Pergunto pelo meu quarto e ela diz que tem algo para me contar. “Outra vez? Ai, temos o caldo entornado…”, pensei. Afinal parece que uma senhora que aqui estava alojava sofria de vertigens e teve um pequeno problema durante o dia que a deixou completamente zonza. A solução foi usar a sala comum como quarto, abrindo o sofá e fechando todas as portas. Respirei fundo e disse que não havia problema. Fui à casa de banho (já que n tinha quarto tinha de usar a casa de banho de serviço) e fui dormir finalmente. Coloquei a cabeça na almofada e… Não me lembro de mais nada…
(to be continued…)