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Muzeul Satului

Thursday, 24 de July de 2008 | Xana

E finalmente chegamos ao bendito museu da aldeia! E ficamos maravilhados!

Foi um espaço criado no início do século XX por um tal de Dimitrie Gusti.

Este senhor deu-se ao trabalho de correr todos os cantos da Roménia e de literalmente transportar casas típicas com as respectivas mobílias e acessórios para juntar todas neste espaço de Bucareste. Genial!

O que resultou foi um museu ao ar livre, enorme, com casinhas espalhadas por todo o lado, cada uma delas com um jardim e todas as geringonças necessárias a uma casa de aldeia da respectiva região. Um regalo!

Claro que é interessante ver a diversidade dos tipos de construção e das actividades rurais associadas a cada local. É giro dizer:” Eh Pá, vamos até ali à Transilvânia, ou quê? É que eu estou a ficar com fome!”

Mas mais giro é notar que todas as casinhas que estão abertas ao público têm uma senhora que não faz mais nada senão tomar conta da casinha! Limpa o pó, arranja o jardim, rega as flores, varre, cozinha e engoma! E guardam a casa com a própria vida! :) Estão a imaginar a quantidade de gente que lá trabalha?!

Disseram-me que aos fins-de-semana elas vestem os trajes tradicionais e servem comidas típicas! Quando voltar à Roménia hei-de apanhar este museu a um Sábado! Não me escapa!

Bem, por fim aviso que vou pedir ao ZP para me colocar um slide-show aqui no post, com fotos só deste museu.

Espero que se divirtam!

O Parque Herastrau

Thursday, 24 de July de 2008 | Xana

 

img_0785-300x225.jpgPois, é! Adiado mas não esquecido!

Aqui vamos a mais uma parte da viagem!

No 2º dia em Bucareste, levantamos cedinho para ir ver um museu que eu tinha muita curiosidade. O Satului. Resolvemos apanhar o metro (porque ainda não conseguiamos sentir as pernas do dia anterior) e tivemos o 1º choque do dia: metro em obras – para não destoar do resto da cidade!

As estações pareciam um cenário de guerra, mas as carruagens eram novinhas e muito confortáveis – é de facto uma cidade de contrastes!

Lá conseguimos chegar ao parque Herastrau porque sabiamos que o museu era lá.

Ora… no mapa aquilo parecia muito óbvio e muito pertinho… na realidade, demos a volta a metade do parque, demoramos quase duas horas, perguntamos as indicações a uma série de gente e finalmente lá chegamos… de rastos… de novo sem pernas… e mortinhos para ir tomar um banho!

Mas valeu a pena! Aquele parque é uma “espantação”! Enorme de não se ver o fim, com um lago gigantesco no meio, árvores, sombras, flores e gatos por todo o lado! Tudo impecavelmente tratado, como se fosse o jardim privado de algum rei!

Numa das pontas do jardim, encontramos um parque de carrosseis para crianças. Era assim uma coisa fantasmagórica, que nos transportou instantaneamente para um filme de terror, onde se vê a criança sozinha com um ar melancólico a rodar nos cavalinhos… um cenário colorido mas meio desbotado e aquela música sinistra que nos arrepia o mais pequeno dos cabelos… a qualquer momento esperavamos ouvir o chiar aterrorizador de um portão e ver aparecer o criminoso de faca na mão… mas não! Afinal encontramos um cafezinho muito simpático, meio refundido onde trabalhava uma senhora muito simpática que foi a única pessoa desconhecida que meteu conversa connosco – os romenos não são muito curiosos!

Mas bem, o parque é mesmo muito lindo, e só por isso valeu a pena parar na capital!

O Sonho do Castanheiro

Thursday, 17 de July de 2008 | Xana

Era uma vez um castanheiro muito bonito.
Estava no Verão da sua vida.
Era alto, mas não desengonçado como o pinheiro bravo.
Era forte, mas não gordo como o carvalho.
Tinha belas folhas largas e muito verdes e estava enfeitado com as suas flores em cacho cor de mel.
Um dia ele sonhou falar com o Sol… e alguém sábio lhe disse que para isso tinha que subir à montanha mais alta que era conhecida naqueles tempos!
Cheio de entusiasmo, pôs raizes ao caminho!
Chegou à base da montanha, olhou para cima, abanou os ramos para aquecer e começou a subir!
Ora… mas para uma árvore tão grande, subir não é tarefa fácil…
Ele não tinha joelhos como as pessoas, para se equilibrar…
Ele não era flexível como as canas, para se dobrar…
Então as suas pobres raízes tinham que suportar todo o seu peso e ainda tinham que se agarrar firme ao duro solo…
“Pobre árvore…” – diziam alguns que passavam; “Ele não tem noção da dificuldade!” – comentavam; “É impossível!!” – gritavam outros.

E na realidade estava a ser uma tarefa muito difícil!
O castanheiro escorregava nas areias, tropeçava nas pedras e cada palavra de derrota retirava-lhe mais um bocadinho de força.
Mas ele estava muito determinado!
E quando se sentiu enfraquecer, pediu ajuda à Terra para o nutrir, e a Terra ofereceu-lhe ricos sais minerais que lhe devolveram as cores.
E quando se sentiu a desmaiar de calor e de sede, pediu ajuda às Nuvens, que lhe enviaram uma chuvinha refrescante.
E à medida que ia subindo, deixou de ouvir comentários deprimentes e ganhou mais esperança.
E quando encalhou num grande penedo, pediu ajuda ao Vento que lhe deu um empurrãozinho.
E a subida ia-se tornando mais fácil… os ramos ajudavam ao equilíbrio, as raizes já estavam treinadas para o exercício e tinha o conforto no seu âmago, de saber que se pedisse ajuda, havia quem o socorresse.
Se ele chegou mesmo a falar com o Sol… ninguém sabe… o Sol estava lá muito longe, e mais ninguém se atreveu a fazer aquela caminhada…
Esta história é só sobre o caminho. Sobre o que nos impede e o que nos motiva e sobre tanta gente à nossa volta disposta a nos ajudar… basta pedir!

A ideia surgiu numa aula de Dança da Essência da Cláudia Bonina. Ela ajuda-nos a encontrar a nossa essência, a estarmos bem connosco próprios. E vejam lá o que saiu!

E escrevi-a para a Terra, as Nuvens e o Vento que me rodeiam e me ajudam!

A Roménia e a Comida

Wednesday, 9 de July de 2008 | Xana

Hoje apetece-me falar de comida.
E então aqui continuo a nossa viagem por terras de romenos.

Parece que a visita à nossa 1ª igreja ortodoxa nos abriu o apetite, e claro que também estavamos totalmente “afónicos” para provar as delícias locais.

(Um breve parentesis: eu e o ZP temos tara de provar comidas em todo o lado. Se há coisa que caracteriza uma região ou um povo é a comida (já dizia “o outro”: “somos aquilo que comemos”). As próximas férias vão ser de turismo gastronómico!)

Então inspeccionamos o mapa, lá nos orientamos e fomos correndo para o único restaurante de comida regional que nos falaram.

É muito difícil encontrar restaurantes de comida tradicional… aliás, é muito difícil encontrar restaurantes em Bucareste… acho que eles não comem… é por isso que são magrinhos… :)
Ah! E não há tascas… que desconsolo…

Mas bem, comemos Tochitura – um guisado de carne com bacon e cebola, com polenta – uma pasta de milho. De sobremesa provamos Papanasi – um donut com natas sem açucar por cima e uma compota de ameixa a acompanhar.

Se a comida era boa? Ora bem… tinha bom aspecto… o ZP disse que estava deliciosa… eu não sei porque nesse dia estava tão constipada que não tinha cheiro nem sabor… grande galo!
Arroz… nem ve-lo! Tantos países que podíamos visitar e viemos parar a um que não sabe o que é arroz… o ZP ficou inconsolável…

Peixe?! Quase nada!
Água sem gás… complicado… alguns sítios nem sabem o que isso!

Por fim, à excepção das cadeias de fast-food, colocam muito pouco sal na comida… sem graça!
De resto, em Bucareste não temos grande escolha ou fast-food, ou italiano (são como cogumelos)…
Isto é a comida na capital… em Iasi, a coisa já pia de outra maneira! :) Mas lá chegaremos!

A Roménia e as igrejas 2

Tuesday, 1 de July de 2008 | Zé Pedro

IMG_1430.JPGA dinâmica de uma missa também é muito interessante: As pessoas fazem fila à porta, depois vão entrando à vez, rezam e ouvem uns minutos e saem. Não há missas completas, excepto para cerimónias especiais. Todos os dias, em todas as igrejas, toca-se a toaca e depois os sinos e depois faz-se uma homenagem aos mortos. Isto acontece ao final da tarde, antes de anoitecer. A toaca é uma espécie de tocar bateria, mas sobre uma trave de madeira que está junto aos sinos. E ouve-se a milhas! As mulher, velhas e jovens, na sua maioria vão de cabeça tapada com um lenço para a igreja. Os cristão ortodoxos são muito cientes da sua fé! Defendem-na com muito mais convicção do que os católicos que eu conheço!… Mas na realidade as duas correntes não são assim tão distantes… São mais diferenças nos rituais do que na doutrina em si… Tecnicismos! :) Encontramos apenas uma igreja católica e foi em Iasi – era grande, um bocado feiosa e estava fechada… E bem, acho que já chega de igrejas! Visitamos mil e não me cansei, porque uma pessoa não se cansa de ver coisas bonitas! Ah! É verdade! A maior parte das pessoas benze-se a si e aos filhos se forem pequenos, quando passa por uma igreja. Nem que estejam do outro lado da rua… velhos ou novos… na cidade ou no campo… Isto à primeira vista convence-nos que as pessoas são muito religiosas… Nem por isso…! Parece que é apenas um ritual que está tão assumido que as pessoas benzem-se sem dar conta… sem parar de falar ou até de comer… Este Romenos são loucos! :)